A remoção da lama acumulada na Praia do Siqueira, em Cabo Frio, finalmente começou — mas ainda cercada de questionamentos. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que todo o material dragado está sendo encaminhado para um bota-espera, onde passa por manejo técnico antes da destinação final em área licenciada. Apesar disso, o órgão não esclareceu ao Manchete Lagos para qual local o material está sendo levado. O questionamento foi feito há uma semana.
Início da obra
O secretário municipal de Meio Ambiente, Jailton Dias, divulgou nesta terça-feira (2) imagens que mostram o início dos trabalhos na margem da Laguna de Araruama, uma das principais áreas de pesca de camarão da região. Segundo ele, a ação representa “uma luta de muitos anos” e conta com mobilização constante da comunidade e dos pescadores.
A intervenção, anunciada oficialmente em outubro pelo governador Cláudio Castro e pelo prefeito Dr. Serginho, prevê dois anos de dragagem e a retirada de cerca de 900 mil m³ de sedimentos — volume considerado essencial para recuperar a circulação da água e revitalizar o ecossistema local.

Como funciona a limpeza
A operação utiliza dois tipos de equipamentos:
- Retroescavadeira, que retira a lama das áreas mais rasas;
- Draga, já instalada, responsável pela remoção de sedimentos mais profundos.
Paralelamente, a Prolagos avança com a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Praia do Siqueira, com conclusão prevista para o fim de 2026. A obra é considerada fundamental para evitar que o despejo de esgoto volte a causar o acúmulo de material orgânico.
Problema histórico
A região vive há anos um processo de degradação ambiental. Em 2024, o crescimento excessivo de algas — alimentadas pela grande quantidade de matéria orgânica na água — agravou ainda mais a pesca e a qualidade da laguna.
Agora, moradores acompanham as primeiras movimentações de máquinas e cobram respostas sobre o destino do material retirado.
Debate cresce após polêmica em São Pedro da Aldeia
A cobrança se intensifica diante do que ocorreu recentemente em São Pedro da Aldeia. Lá, a remoção de material das praias do Mossoró, Camerum e Boqueirão gerou grande controvérsia após moradores denunciarem que os resíduos estavam sendo depositados em um terreno no bairro da Cruz, na zona rural.
A prefeitura alegou que se tratava apenas de algas acumuladas pelas altas temperaturas e que o descarte estava sendo feito em um Centro de Tratamento de Resíduos licenciado. Moradores e pescadores, porém, afirmaram que parte do material seria proveniente de esgoto irregular, o que exigiria tratamento específico.
O Inea autorizou a remoção realizada pela prefeitura aldeense.
Expectativa e incertezas
Enquanto a dragagem de Cabo Frio avança, a comunidade aguarda que o Inea esclareça qual local recebe o material retirado da Praia do Siqueira e quais garantias ambientais estão sendo aplicadas no processo.
A promessa oficial é que a dragagem represente um marco de recuperação da Laguna de Araruama. Mas, até que o destino dos resíduos seja totalmente esclarecido, parte da população segue apreensiva — ainda mais após o recente histórico na cidade vizinha.

