Bares de Cabo Frio estão divulgando informativos nas redes sociais sobre a qualidade das bebidas alcoólicas comercializadas. O temor é uma queda do movimento após as recentes denúncias de bebidas com metanol, substância que pode levar à morte. Nos comunicados, os bares dizem que as bebidas são adquiridas de distribuidores oficiais. Nessa quinta (2), o Ministro da Saúde, Eliseu Padilha, informou que a recomendação, no momento, é evitar o consumo de bebidas alcoólicas destiladas, especialmente bebidas incolores. O Brasil tem hoje 60 casos suspeitos de intoxicação por metanol, principalmente em São Paulo. Há casos em Pernambuco, no Distrito Federal e o mais recente é da Bahia.
No Rio, não há casos confirmados. Mas a Secretaria de Estado de Saúde divulgou alerta aos 92 municípios para monitorar possíveis casos suspeitos.
Casos de intoxicação por metanol acenderam um alerta sanitário no Brasil e colocaram o governo em uma corrida para garantir o acesso ao fomepizol, medicamento usado como antídoto nesses envenenamentos. O remédio não está disponível no mercado nacional e, diante da urgência, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acionou autoridades reguladoras de diferentes países para viabilizar a importação.

Entre os órgãos contatados estão a FDA (Estados Unidos), a EMA (União Europeia) e as agências de Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália. O objetivo é acelerar os trâmites para trazer o produto ao país e ampliar as opções de tratamento em hospitais.
🔎 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. O Brasil vem registrando aumento no número de casos de intoxicação por metanol misturado a bebidas alcoólicas adulteradas (leia mais abaixo).
O fomepizol é considerado o tratamento de referência contra o metanol porque age bloqueando a transformação da substância em metabólitos tóxicos, responsáveis por danos graves ao sistema nervoso e ao fígado.
Sem ele, os serviços de saúde precisam recorrer a alternativas, como o uso controlado de etanol grau farmacêutico, que pode retardar o efeito do veneno, mas não é tão seguro nem eficaz.
Para garantir o fornecimento imediato, a Agência também publicou um edital de chamamento internacional em busca de fabricantes e distribuidores com estoque disponível. A medida foi tomada após pedido de urgência do Ministério da Saúde.
Além da corrida pelo antídoto, três laboratórios — o Lacen/DF, o Laboratório Municipal de São Paulo e o INCQS/Fiocruz — foram mobilizados para analisar amostras suspeitas de bebidas adulteradas. As fiscalizações em campo já começaram em diferentes estados, em parceria com as vigilâncias sanitárias locais.
⚠️ Enquanto aguarda a chegada do medicamento, a orientação à população é: em caso de suspeita de intoxicação, ligar para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), serviço que reúne 13 centros especializados no país.
O que é o metanol e por que ele oferece risco à saúde
O metanol é um tipo de álcool utilizado na indústria química, na fabricação de solventes e combustíveis. Diferentemente do etanol — que está presente nas bebidas alcoólicas comuns —, ele não é seguro para consumo humano.
O problema é que, por não ter cheiro, cor ou sabor característicos, o metanol pode ser misturado ilegalmente a bebidas sem que o consumidor perceba. Quando ingerido, o organismo o processa no fígado, onde se transforma em substâncias altamente tóxicas, como o ácido fórmico.
Os efeitos aparecem rapidamente: visão borrada, tontura, dor abdominal, respiração acelerada e, em casos mais graves, cegueira irreversível, falência de órgãos e morte. A gravidade depende da quantidade ingerida e da rapidez do atendimento médico, já que o tratamento é considerado uma corrida contra o tempo.
Por que algumas pessoas sofrem reações mais graves ao metanol? A genética pode explicar
Como o metanol aparece na bebida alcoólica — e por que isso gera lucro para alguns
Casos em investigação no Brasil
Na última semana, diferentes estados registraram suspeitas de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. A substância não deveria estar presente em produtos destinados ao consumo humano.
Diante do aumento de ocorrências, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para coordenar as ações com Anvisa, vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, além de órgãos como Ministério da Justiça e Ministério da Agricultura.

