Quatro pessoas em situação de rua foram retiradas, nesta segunda-feira (22), de um imóvel abandonado no bairro Costazul, em Rio das Ostras, após uma ação conjunta da Prefeitura e da Polícia Militar. O local havia ganhado repercussão no fim de semana depois que um morador invadiu o terreno e expulsou ocupantes por conta própria, em um vídeo que circulou nas redes sociais.
De acordo com a Polícia Militar, equipes estiveram no imóvel — que pertence ao município e integra a área do antigo camping de Costazul — junto com profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social. As pessoas encontradas no local foram encaminhadas para atendimento oferecido pela rede municipal. A PM informou ainda que o imóvel passará a ser ocupado e monitorado, como forma de evitar novas invasões.
A ação ocorre um dia após a divulgação de um vídeo que causou forte repercussão em Rio das Ostras. Nas imagens, um morador identificado como Sandro aparece derrubando o portão e parte do muro do imóvel abandonado. Durante a gravação, ele afirma que o local vinha sendo usado por usuários de drogas e que a situação estaria trazendo transtornos à vizinhança.

No vídeo, Sandro relata ainda que uma mulher que frequentaria o imóvel teria ameaçado uma parente sua, o que teria motivado a atitude. “Podem me botar na cadeia, mas com a minha família ninguém mexe não”, diz em um dos trechos. Em seguida, é possível ver ao menos duas pessoas correndo pelos fundos da casa após a invasão.
O morador também afirma que já havia acionado a Prefeitura para denunciar a situação do imóvel abandonado, mas que nenhuma providência teria sido tomada até então. Até o momento, não há registro de boletim de ocorrência relacionado à invasão.
Especialistas alertam para riscos
Apesar da compreensão sobre a revolta de moradores diante da sensação de insegurança, especialistas em segurança pública e direito alertam que esse tipo de atitude é perigosa e ilegal.
Segundo um advogado criminalista ouvido pela reportagem, invadir um imóvel e confrontar pessoas suspeitas de envolvimento com drogas expõe o cidadão a riscos elevados. “Há risco real de violência, inclusive com armas. Além disso, a ação pode configurar crimes como dano ao patrimônio, invasão de domicílio e até lesão corporal, dependendo do desfecho”, explica.
Consultores em segurança urbana reforçam que a conduta correta é acionar a Polícia Militar, registrar ocorrência e cobrar providências formais do poder público. “Quando o cidadão assume o papel do Estado, ele se coloca em uma situação de vulnerabilidade extrema. Não há como saber quem está no local ou se há pessoas armadas”, alertam.
Atuação do poder público
Imóveis abandonados usados para consumo de drogas são um problema recorrente em áreas urbanas e exigem atuação integrada do poder público, envolvendo segurança, assistência social e fiscalização. Especialistas destacam que cabe ao município identificar a situação do imóvel, adotar medidas legais e impedir ocupações irregulares.
As autoridades reforçam que a população deve evitar confrontos diretos e utilizar os canais oficiais. A Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190, e denúncias anônimas ajudam no combate ao uso e tráfico de drogas em áreas residenciais.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e reacende o debate sobre os limites da ação individual diante da insegurança urbana.

